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‘Dom Quixote’ reloaded in Rio

Ópera baseada no grande romance espanhol tem conjunto cênico impecável. Nossa estagiária de Design faz “leitura” do espetáculo, que mostra um Cervantes revisitado

Por Paula Cruz

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 Fotos: Júlia Rónai/Divulgação Theatro Municipal

Sexta-feira, dia 22 de abril, véspera do Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor. O dia 23 de abril foi escolhido precisamente em memória a dois dos maiores autores da literatura universal: é a data de óbito de Shakespeare, dramaturgo inglês, e de Miguel de Cervantes, autor espanhol do maravilhoso “Dom Quixote de La Mancha”.

Foi exatamente no dia 22 a apresentação da grandiosa ópera “Dom Quixote”, de Jules Massenet, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Os consagrados Jorge Takla e Luiz Fernando Malheiro, diretor e regente respectivamente, conduziram um espetáculo inédito até então em terras cariocas, estreando neste outono quente uma ópera francesa de Massenet criada em 1910. A adaptação literária apresenta os momentos mais consagrados de Dom Quixote, um velho cavalheiro medieval que enxerga a realidade com olhos cheios de loucura [ou seria a mais perfeita tradução de sua lucidez?]. Sempre acompanhado por Sancho Pança, seu fiel escudeiro, os dois vivem boas trapalhadas em cinco atos para encontrar o colar roubado de Dulceneia, a donzela por quem Quixote é apaixonado.

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Cenário impecável

Não bastassem os jogos de luz precisos e figurinos maravilhosos, os cenários, impecáveis, são feitos a partir de ilustrações do grande gravurista Gustave Doré, conhecido também por ilustrar a “Divina Comédia” de Dante.

Tomando partido das hachuras típicas da técnica de gravura, os ambientes são construídos a partir do contraste entre a bidimensionalidade da ilustração e o espaço tridimensional ocupado pelo elenco.

Personagens vivos
Se a montagem no Theatro Municipal fez jus à grandeza do primeiro romance moderno publicado, a escolha dos sopranos não poderia ter sido mais bem-vinda. Dom Quixote, Sancho Pança e Dulcineia foram vividos de forma magistral por Gregory Reinhat, Luisa Francesconi e Eduardo Amir, altamente competentes. O trio é a personificação destes personagens seculares, tanto em trejeitos quanto em termos de presença de palco.

Uma ópera feita com tanta primazia evidencia a importância e atualidade da obra de Cervantes, além do apreço que o público tem pela história de um velho cavalheiro que acredita ver gigantes e combate sua própria imaginação.

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Paula Cruz

Estudante de Comunicação Visual Design na EBA|UFRJ, atravessou o Atlântico para viver em ares holandeses e descobrir os mestres da tipografia, impressão e design neerlandeses. Estudou na Willem de Kooning Academy em Rotterdam, nomeada em homenagem ao ex-aluno pintor. É colunista na revista “Clichê”, abordando principalmente design, filosofia e história da arte. Desenvolve projetos pessoais que unem o amor ao texto, design e pesquisa, tais como HQs, zines, composições tipográficas e cartazes.

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