Livro de roupa nova

Aquela velha máxima de que de um limão se faz uma limonada é muito útil quando de trabalha com livros em contexto de crise econômica. De uma dificuldade inicial, zero grana, sem investimento nem patrocínio, um projeto editorial tenderia a ganhar o rótulo de “esgotado”, mesmo sendo sucesso de crítica e tendo alcançado número de vendas razoável.

A primeira edição de O africano que existe em nós, brasileiros, de Julia Vidal, foi viabilizada pela coedição que fizemos com a Biblioteca Nacional, via Edital para Autores Negros. O livro, na verdade, é o braço editorial de um projeto cultural de maior fôlego, que está em busca de patrocínio para ser realizado: exposição + perfomances + oficinas + debates em torno da moda e do design afro-brasileiros e de etnias culturais de raízes brasileiras. Mas a verba obtida via edital – esticada até dizer chega – cobriu apenas a primeira edição do livro.

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Sem solução aparente para dar continuidade ao projeto, poderíamos cruzar os braços, morrer na praia. Mas, em uma das nossas reuniões de brainstorming para ações criativas em cultura editorial, veio a ideia: e se fizéssemos um livro mais enxuto, mais acessível (gráfica e comercialmente), com a mesma matéria-prima, o mesmo conteúdo inicial, porém mais dinâmico, barato e – por que não dizer – mais bonito até? Mas como? De quais recursos poderíamos fazer uso para chegarmos nesse “novo livro”? E como viabilizá-lo, sem nenhum tipo de incentivo?

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